sexta-feira, 25 de março de 2011

Quanto mais conheço o homem, mais admiro o SAPO.




 Quando a gente acha que já viu ou ouviu de tudo nessa vida surge algo novo: campanha a favor do sapo. Não meus amigos eu não digitei errado, campanha do sapo mesmo! Antigamente reuníamos fundos para a campanha do Brasil contra fome, Brasil contra o frio.  E agora, seguindo ou não o novo rit do momento “Eu vou contar pra tu eu crio um cururu”, a campanha é: ADOTE UM SAPO! Pra ser mais regional ADOTE UM CURURU! E pra quem acha que essa é uma campanha boba, façam como eu e reflitam sobre os costumes de nossa gente.
Esses dias mesmo eu estava observando uma menina de 1 ano tentando os primeiros passinhos, ela trazia algo em suas mãos e sorria freneticamente. Seu pai quando se deu conta do que a menina trazia nas mãos gritou: SOLTE ESSE BICHO NOJENTO!  Sim, ela estava brincando com um cururu! Detalhe, ela não adoeceu, nem sua mão caiu! Apenas aprendeu ainda muito cedo que tem certos animais que nossa cultura (ESSA SIM NOJENTA) coloca como imprópria para cuidados domésticos. Depois daquele dia ao ver esse bichinho, ela corre desesperada e abre a boca no mundo (aff). Não a culpa não é do pai, a culpa é de quem começou tudo isso! Por que hoje eu morro de medo de rã? (adivinhem???)
Algumas pessoas passaram a atirar pedra no Padre (calma gente, não literalmente). Eu acredito que não é bem assim! Confesso que nos meus momentos de insanidade até pensei em deixar um cururu aqui no meu quarto, comendo os insetos, colocá-lo o nome de Gary (em homenagem ao animal de estimação de Bob Esponja), vesti-lo com as roupas de minhas bonecas velhas que estão na estante. Isso não daria certo! Acho que na verdade o que o Padre quer dizer com ADOTE UM SAPO (não é ao pé da letra). Ele só acha errado (como eu também acho), as pessoas jogarem sal em sapos, chutá-los, etc. É uma questão de consciência, ninguém gostaria de estar em um lugar e algo expulsá-lo com ácido. Por que eu falo de ácido? Porque sal na pele de um sapo é como se fosse ácido na pele humana! Eu já vi um morrendo nessas condições e posso garantir que não é nada bonito, nem de se orgulhar. E O MAIS IMPORTANTE DE SE LEMBRAR: QUEM MATA UM ANIMAL TAMBÉM PODE MATAR UM SER HUMANO!!
Muitos de vocês devem está pensando: que discurso é esse de Kamila? Não é discurso, é realidade! E se vocês ficaram incomodados com isso, volto a escrever uma velha frase que eu dizia aos treze anos: Quanto mais conheço o ser humano, mais admiro o animal! (CORRIGINDO) QUANTO MAIS CONHEÇO O SER HUMANO, MAS ADMIRO O SAPO.

terça-feira, 22 de março de 2011

A Telhoça

Por Luciana Ferreira

Quem conhece a cidadezinha de Santa Cruz sabe que as noites de domingo já se tornaram uma rotina. Inicia-se com a missa para quem é católico e para as demais religiões seus referidos cultos. Após essa demonstração religiosa as pessoas vão se aglomerando na praça, cada uma na sua tribo de costume. As horas vão passando e chega o momento esperado por muitos que passam a semana se preparando ansiosamente (roupa, cabelo, maquiagem) para irem até a telhoça (o point da cidade). Acho que todos da região a conhecem e, se não conhecem já ouviram falar. Com repertório “diversificado” todos acabam dando uma entradinha (até quem não gosta). Ao adentrar você vê de tudo um pouco, alguns bêbados, algumas garotas se exibindo ou tentando conquistar algum rapaz, outras aparentemente querendo formar um grupo de dança repetindo os passos umas das outras (chega a ser engraçado).
Sim, foi lá na Telhoça que conheci o Amor da minha vida (João Paulo)! Sabe quando você menos espera que uma pessoa te olhe? Comigo foi assim. Em um domingo ele me olhou, me “encarando”, mas na ida pra casa o vi conversando com outra menina, não me importei e os cumprimentei. No domingo seguinte, no mesmo local (aquela calçadinha que tem dentro da telhoça, ótimo local pra se ver tudo o que acontece por lá), ele se aproxima e me chama pra dançar, conversas ao pé do ouvido e, estamos juntos até hoje! Não consigo mais viver sem ele! Estar longe, mas sei que o amor que sentimos um pelo outro não há distância capaz de destruí-lo e, quem sabe um dia poderemos retornar ao lugar que nos conhecemos...
Essa é a Telhoça de Santa Cruz, aberta de domingo a domingo, tocando todos os ritmos, alegrando um pouco a vida dos moradores dessa cidadezinha, proporcionando um pouco de diversão. Lá namoros são iniciados (como aconteceu comigo) outros terminados. Um lugarzinho comum, mas que de um jeito ou de outro está marcado na memória de alguém por algum motivo!

sexta-feira, 18 de março de 2011

A mulher e o rádio

Dedicado a F.
Sabe aqueles dias em que a gente acorda e é tomado por um fato que muda tudo o que acreditávamos? Um dia, numa semana de um mês do ano passado encontrei nas palavras de uma vizinha, a verdadeira história de uma senhora a que todos diziam ser louca. Era a manhã de um sábado, eu varria a calçada de casa quando a “louca” passou me cumprimentando. Ela vestia um vestido bege, calçava havaianas azuis (das tradicionais) e segurava próximo ao seu ouvido um rádio amarelado. Andava como se o som que ouvisse fosse o condutor para seu caminho. Sorri e comentei com uma vizinha “Será que até na hora de dormir ela fica com o rádio ligado?” A vizinha me olhou séria e disse “Isso tudo por causa de um AMOR!” Eu sempre gostei de histórias, mas quando soube a daquela mulher, as cartas de Mariana Alcoforado já não me emocionavam tanto.
A história que ouvi num dia, numa semana, de um mês do ano passado agora as reproduz para vocês:
Era o ano de 1970, a nossa protagonista tinha na faixa de uns quinze anos, era frágil e não entendia muito bem as coisas do mundo. Todo o dia depois da aula passava no mercado público (antes o mercado público daqui de santa Cruz funcionava também como ponto de encontro para os jovens daquela época). Numa dessas voltas pelo mercado, à menina distraída acabou despertando o olhar de um radialista da cidade de Alexandria. Ele teria vindo a Santa Cruz a trabalho, mas quando viu a moça esqueceu seu ofício e a seguiu até em casa. Passou alguns segundos imaginando o que iria falar até que bateu palmas e a jovem saiu da casa correndo ao encontro daquele barulho. Na parte externa da casa freou bruscamente ao vê-lo. Seu pai chegou logo depois, mas não antes que os olhos dele se encontrassem com os da moça, que seus corações vibrassem e a paixão tomasse conta de suas almas. “Olá, eu sou radialista da rádio Tapuyo de Alexandria e estou aqui a trabalho, poderia me conseguir um copo de água?” Quando ela chegou e o entregou o copo com água, sua mão num breve instante tocou a mão dele, como se a paixão fosse agora concretizada, tremiam (ele para beber a água, ela pra perguntar se queria mais): “Obrigado” (querendo dizer “vem comigo”), “por nada” (querendo dizer “me leva com você”)
O fato é que aparentemente eles nunca mais se encontraram, até o dia que ela novamente distraída ouviu uma música que vinha da cozinha e ao acabar uma voz que dizia “essa é pra você menina linda de Santa Cruz que me olhou como nunca haviam antes me olhado”. Dias seguiram e ela ao lado do rádio, comia, tomava banho e sim dormia esperando ouvi-lo. Se alguém o desligasse ou ameaçasse o tirá-lo, ficava triste, não se alimentava e dizia “meu namorado não vai saber que estou o esperando”. Seus pais preocupados cederam, compraram um rádio e ela passou até sair de casa com ele próximo ao ouvido, pois queria que todos conhecessem seu namorado. Considerada louca, até ganhou apelido!
Quarenta anos depois ela continua enamorada do radialista. Talvez nem seja o mesmo (provavelmente não é), mas ela ainda o ama como o dia em que o conheceu e, tem por ele a mesma devoção que uma esposa companheira. Ainda diz que todos os dias ele escolhe músicas que a farão sonhar durante a noite.
Por que ele nunca a procurou? Desculpe, eu não sei responder. Só sei que um dia, numa semana, de um mês do ano passado eu descobri que o amor realmente existe e, quero que todos saibam que nossa protagonista não é e nunca foi louca, apenas amou alguém com todo seu coração, sua força e alma.

domingo, 13 de março de 2011

Pracinha nossa de cada dia

Uma volta na praça o que a gente ver?

              Do lado esquerdo inicia-se uma discussão que não se compreende uma única palavra (seria futebol, mulheres, festas, dinheiro ou tudo isso junto?). Começam a soltar vogais perdidas de consoantes, viagens transcendentais e, quem passa perto mesmo sem entender fica fascinado. No bar a frente um casal bebe cervejas, ela para preservar seu namoro, ele para preservar seu vício. E o dono do bar acha tudo isso ótimo, pois devido a esses se encontra mais rico que aquela dona da lojinha mais próxima. Ao lado dos garçons sempre tem algum cara pedindo para pendurar a conta, “semana que vem eu pago” e na semana que vem essa frase será um Déjà Vu. E mais adiante velhos observam meninas de 12 anos seminuas. E o bom é que todo mundo parece achar isso normal.
                   Na esquina da pracinha tem sempre uma turma de amigos combinando um passeio para o domingo de manhã. Uma bebedeira, com direito a fotos em seus orkuts. E falando nesse divertidíssimo site de relacionamentos, sempre tem um novo orkuteiro que só agora foi apresentado ao site e não engata um novo assunto. E é claro que tem aquela mãe desesperada atrás de seu filho pequeno, que corre pela praça como se estivesse em um mundo novo. Bem perto dali, tem uma turma de meninos sentando em mesma posição, calados, pensativos e, o que surpreende é o fato deles não conversarem entre si. Apenas chegam, sentam e duas horas depois se levantam e vão embora.
                   Do alto de sua calçada o padre observa tudo, um som que aumente de volume é 190 no telefone. E tem ainda a escadaria da igreja, onde os grupos se formam, as conversas rolam soltas, as paqueras, os possíveis inícios de namoros e os finais também. Na frente os bancos são todos ocupados por casais e, a gente fica rezando para que dê sede ou vontade de fazer xixi em um deles para que consigamos sentar. Nossas preces nunca são atendidas! Esses casais são sempre diferentes: um brega, um fofinho e outro desproporcional.
                   Perto da volta final, vemos algum cara usando o banheiro do bar com a porta aberta, um casal tentando um sarro mal sucedido e outro ainda jovem na parte escura porque certamente a mãe da menina não sabe que ela namora. Na última escadaria um grupo de meninas questiona as roupas de outra que acabara de passar e, acreditem, elas ficarão ainda nessa conversa por pelo menos umas duas horas.
                   Motos em sequencia me fazem crer que terminei minha volta pela praça. Mas sabe o que é mais engraçado? Eu posso dar umas trinta voltas, que eu sempre encontrarei um fato novo que não foi mencionado anteriormente. Porque na minha cidade é assim, cada  segundo um olhar encontra um novo detalhe. Nessa cidade que é tão pequena e tão infinita de momentos e pessoas “interessantes”. Meus olhos são minha câmera, a caneta e papel história e, o fim da história divulgação.